4 de jun de 2017

  • MPF pede prisão do ex-presidente Lula e pagamento de R$ 87 milhões em multas no caso do triplex

    Procuradores apresentaram alegações finais e querem que ele e outros seis réus sejam condenado pelos crimes de corrupção passiva, ativa e lavagem de dinheiro.


    MP pede a condenação de Lula no caso do tríplex, no Guarujá
    MP pede a condenação de Lula no caso do tríplex, no Guarujá
    O Ministério Público Federal (MPF) pediu ao juiz Sérgio Moro, nesta
    sexta-feira (3), que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outros seis
    réus sejam condenados pelos crimes de corrupção passiva, ativa e
    lavagem de dinheiro e que cumpram as respectivas penas em regime
    fechado.
    O pedido consta nas alegações finais do processo que apura um
    suposto pagamento de propina por parte da OAS, por meio da entrega
    de um apartamento triplex no Guarujá, litoral paulista.
    O MPF diz que o apartamento seria entregue a Lula, como contrapartida
    por contratos que a OAS fechou com a Petrobras, nos anos em que o
    político foi presidente da República. Também faz parte da denúncia o
    pagamento que a OAS fez à transportadora Granero, para que a empresa
    fizesse a guarda de parte do acervo que o ex-presidente recebeu ao deixar
    o cargo.
    “Quem oculta ser proprietário de um bem proveniente de crime, pratica
    lavagem de dinheiro. Como provado no presente caso, sendo o triplex no Guarujá destinado ao réu LULA pela OAS a partir dos crimes de corrupção
    contra a Administração Pública Federal, sobretudo contra a Petrobras,
    esconder que o réu LULA é o proprietário do imóvel configura o crime.
    Dizer que “não há escritura assinada” pelo réu LULA é confirmar que ele
    praticou o crime de lavagem de dinheiro", diz um trecho do documento.
    Entre os réus, também estão o ex-presidente da OAS, José Aldemário
    Pinheiro Filho, conhecido como Léo Pinheiro, e outros executivos da
    construtora, que foram acusados de lavagem de dinheiro e corrupção ativa.
    A ex-primeira-dama Marisa Letícia Lula da Silva também era ré, mas teve
    nome excluído da ação penal após a morte dela, em fevereiro deste ano.
    Embora tenha pedido que todos sejam presos, o MPF diz que Léo Pinheiro, Agenor Franklin Medeiros e Paulo Gordilho, devem ter as penas reduzidas
    pela metade, "considerando que em seus interrogatórios não apenas confessaram ter praticado os graves fatos criminosos objeto da acusação,
    como também espontaneamente optaram por prestar esclarecimentos
    relevantes acerca da responsabilidade de coautores e partícipes nos crimes, tendo em vista, ainda, que forneceram provas documentais acerca dos
    crimes que não estavam na posse e não eram de conhecimento das
    autoridades públicas".
    Os procuradores ainda ressaltaram que nenhum deles fez acordo de
    delação premiada, embora tenham reconhecido durante os respectivos depoimentos, que todos estavam em tratativas para fechar as
    colaborações.
    No pedido, o MPF também quer que Moro determine a apreensão de
    R$ 87.624.971,26. O valor é correspondente ao montante de propinas
    que foram pagas nos contratos que a OAS firmou junto à Petrobras a
    agentes públicos.
    Desse montante, Lula teria recebido um total de pouco mais de
    R$ 3,7 milhões, somando o valor do apartamento e do contrato entre
    a OAS e a Granero. Apesar disso, os procuradores pediram que o
    ex-presidente seja condenado a pagar outros R$ 87 milhões em multas.
    Os procuradores pedem, ainda, a interdição do exercício de cargo ou
    função público pelo dobro do tempo da pena privativa de liberdade,
    para os acusados que forem condenados pelo crime de lavagem
    de dinheiro.
    As defesas têm até 20 de junho para contestar os argumentos do MPF, dentro do processo. Esta é a última fase da ação penal. Após todas as partes apresentarem as alegações finais, o processo volta ao juiz Sérgio Moro, que vai definir se condena ou absolve os réus.

    Veja a lista completa dos réus e dos crimes:

    • Luiz Inácio Lula da Silva – corrupção passiva e lavagem de dinheiro
    • José Adelmário Pinheiro – corrupção ativa e lavagem de dinheiro
    • Agenor Franklin Magalhães Medeiros – corrupção ativa
    • Paulo Gordilho – lavagem de dinheiro
    • Fábio Yonamine – lavagem de dinheiro
    • Roberto Moreira Ferreira – lavagem de dinheiro
    • Paulo Okamotto – lavagem de dinheiro

    O outro lado

    Os advogados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Cristiano Zanin Martins e Valeska Teixeira Martins divulgaram nota, neste sábado (3), afirmando que o MPF insiste em teses inconstitucionais e ilegais. De acordo com a defesa, as 73 testemunhas ouvidas e documentos juntados ao processo provam a inocência de Lula. Veja a nota completa abaixo.
    A defesa do Léo Pinheiro, a empresa OAS e os advogados de Agenor Franklin Medeiros informaram que não vão se manifestar.
    O advogado de Paulo Okamotto, Fernando Augusto Fernandes, disse que o processo demonstrou não existir qualquer ilegalidade em relação ao armazenamento do acervo do ex-presidente Lula, e que acredita na absolvição do cliente dele.
    G1 tenta contato com as defesas dos outros réus.
    Veja a íntegra da nota da defesa de Lula:
    As alegações finais do MPF mostram que os procuradores insistem em teses inconstitucionais e ilegais e incompatíveis com a realidade para levar adiante o conteúdo do PowerPoint e a obsessão de perseguir Lula e prejudicar sua história e sua atuação política.
    As 73 testemunhas ouvidas e os documentos juntados ao processo - notadamente os ofícios das empresas de auditoria internacional Price e KPMG - provaram, sem qualquer dúvida, a inocência de Lula. O ex-Presidente não é e jamais foi proprietário do triplex, que pertence a OAS e foi por ela usado para garantir diversas operações financeiras.
    Nos próximos dias demonstremos ainda que o MPF e seus delatores informais ocultaram fatos relevantes em relação ao triplex que confirmam a inocência de Lula - atuando de forma desleal e incompatível com o Estado de Direito e com as regras internacionais que orientam a atuação de promotores em ações penais.

    Outros processos em Curitiba

    Esse processo do triplex foi o primeiro apresentado pela força-tarefa do MPF responsável pela Operação Lava Jato em Curitiba. Além dessa ação penal, os procuradores apresentaram outras duas denúncias à Justiça.
    Lula foi denunciado pelo MPF por ter recebido propina também da Odebrecht, referente a contratos da empreiteira com a Petrobras. Nesse processo, em que testemunhas já estão sendo ouvidas, o ex-presidente é acusado de ter recebido um terreno em São Paulo, que seria usado para construir uma nova sede para o instituto social que leva o nome do político e também o apartamento vizinho ao que ele mora, em São Bernardo do Campo.
    A defesa tem negado irregularidades nos dois casos, pois o Instituto Lula jamais transferiu a sede para o terreno apontado pelo MPF no processo. Em relação ao apartamento, o imóvel é usado pelos seguranças de Lula, mas o ex-presidente diz que pagou aluguel durante todo o tempo que ocupou o local.
    Na terceira denúncia, que ainda não foi aceita pelo juiz Sérgio Moro, o MPF volta a acusar Lula de receber propina das construtoras OAS e Odebrecht. Segundo a denúncia, a primeira empreiteira pagou a instalação de uma cozinha em sítio, em Atibaia, no interior de São Paulo. Já a Odebrecht teria realizado reformas no imóvel, a pedido de Lula.
    O sítio pertence, no cartório, aos empresários Fernando Bittar e Jonas Suassuna. No entanto, durante a deflagração da 24ª fase da Operação Lava Jato, em que Lula foi um dos alvos, os investigadores encontraram diversos bens pessoais do ex-presidente no local. O MPF acredita que ele era o dono real do imóvel, o que a defesa também nega.

    'Fim da palhaçada'

    O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (1º), ao discursar na abertura do 6º Congresso Nacional do PT, em Brasília, que já provou a inocência e pediu o fim da "palhaçada" das acusações contra ele.
    "Eu não quero que vocês se preocupem com meu problema pessoal. Esse, eu quero decidir com o representante do Ministério Público, da Lava Jato. Quero decidir com eles. Eu já provei minha inocência. Agora vou exigir que eles provem minha culpa, porque cada mentira contada será desmontada", disse o ex-presidente.
    "Eu e Dilma temos até conta no exterior. Eu nem sabia que ela tinha e ela não sabe que eu tenho. Um canalha diz que fez uma conta para mim e uma para a Dilma, mas que está no nome dele. E ele mexe com a grana. Então, é o seguinte: chegou o momento de parar com a palhaçada neste país. Este país não comporta mais viver nessa situação de achincalhamento, e o Partido dos Trabalhadores tem de dar uma resposta clara para a sociedade", acrescentou Lula.

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