29 de jun de 2017

  • Lattes, o físico brasileiro que disputou o Nobel e nomeou base de currículos

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    Há 70 anos, o curitibano Cesare Mansueto Giulio Lattes, mais conhecido como César Lattes, aproximava o Brasil do Nobel como nunca antes. Com apenas 23 anos, ao lado do cientista inglês Cecil Frank Powell e o italiano Giuseppe Occhialini, descobriu uma partícula no interior do núcleo atômico que garante a coesão do átomo: o méson pi.

    Filho de imigrantes italianos, Lattes nasceu em Curitiba e se graduou em física e matemática com apenas 19 anos de idade. Após o bacharelado, Lattes dedicou-se ao estudo da física atômica, trabalhando com o professor russo Gleb Wataghin, que foi contratado para dirigir o Departamento de Física da então Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP.

    Na época, cientistas do mundo todo questionavam como os prótons mantinham-se unidos no núcleo do átomo. Em 1946, inquieto com a questão, o jovem Lattes foi para a Universidade de Bristol, na Inglaterra, unindo-se a Powell (Prêmio Nobel de Física em 1950) e a Occhialini.

    Convencido da vantagem de aproveitar os raios cósmicos em vez dos aceleradores de partículas, em 1947 partiu para Chacaltaya, um dos picos mais altos dos Andes bolivianos, onde os raios vindos do espaço são mais intensos. Lá, ele expôs chapas fotográficas aos raios cósmicos, as quais, quando reveladas, mostraram os traços da nova partícula subatômica (méson pi).

    Sua descoberta marcou o início da chamada física de partículas elementares ou física de altas energias. Em 1949, voltou para o Brasil, assumindo o cargo de professor e pesquisador na Universidade do Rio de Janeiro. Apesar dos convites para trabalhar em universidades estrangeiras, fez carreira universitária no Brasil. A partir daí, o cientista deu início à construção de aceleradores de partículas cada vez mais potentes, que caracterizaram a física nuclear do pós-guerra. Ele abriu o terreno à ciência no Brasil, fundando, com outros cientistas, o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF).

    Além do CBPF, Lattes foi mentor de importantes iniciativas como a formação do Instituto de Matemática Pura e Aplicada, a Escola Latino-Americana de Física e o Centro Latino-Americano de Física. O cientista também se destacou pelas atividades de ensino, como a modernização do currículo dos cursos de física e capacitação do pessoal que constitui, hoje, parcela ponderável da liderança científica atuante na física brasileira.

    Lattes teve importante papel na catalisação dos esforços que levaram à criação do Conselho Nacional de Pesquisas - atual Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) - em 1951. O Conselho deu novo impulso à pesquisa científica e tecnológica no Brasil, tendo contado com Lattes na composição de seu primeiro Conselho Diretor.
    Em sua homenagem, o CNPq batizou o sistema utilizado para cadastrar cientistas, pesquisadores e estudantes como o nome de Plataforma Lattes. A Plataforma Lattes é uma base de dados de currículos e instituições de todas as áreas do conhecimento. O Currículo Lattes registra a vida profissional dos pesquisadores sendo elemento indispensável à análise de mérito e competência dos pleitos apresentados, atualmente, a quase todas as agências de fomento no Brasil.

    Leia mais na Folha de S.Paulo:https://goo.gl/NzYaNj


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