22 de mai de 2017

  • Delator diz que PT 'comprou' PMDB e que Dilma e Temer tinham 'campanha única'

    Ricardo Saud, diretor do frigorífico JBS, disse, em depoimento de delação premiada, que empresa disponibilizou R$ 300 milhões para o PT em 2014 e que dinheiro veio do BNDES.


    Depoimento de Ricardo Saud - Depoimento 08 - 05/maio/2017
    O diretor do frigorífico JBS Ricardo Saud afirmou à Procuradoria-Geral da República que o PT usou dinheiro de propina dada pela empresa para “comprar” o PMDB nas eleições de 2014 (veja no vídeo acima, a partir de 19mn50).
    “Eles [PT] compraram o PMDB e faziam o que queriam com o PMDB. O PMDB pegava o dinheiro e gastava também do jeito que queria”, disse Saud, um dos executivos da JBS que fecharam acordo de delação premiada, já homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
    A afirmação está em um vídeo de 23 minutos que faz parte do material divulgado à imprensa nesta sexta-feira (19) pelo STF e que baseia um dos inquéritos que apuram atos ilícitos de políticos.
    Com base nessas delações de executivos da JBS, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Edson Fachin determinou a abertura de inquérito para investigar Temer, o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) e o deputado afastado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) por corrupção passiva, obstrução à Justiça e organização criminosa.
    O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirma que Temer e Aécio Neves agiram "em articulação" para impedir o avanço da Lava Jato.
    Em nota, o PMDB informou que "as contribuições eleitorais recebidas" pelo partido "estão devidamente declaradas à justiça eleitoral e observaram todos os requisitos legais vigentes à época. Todas essas informações são públicas e podem ser verificadas no site do TSE."
    O PT informou que não vai comentar as declarações do delator. O G1 também tenta ouvir o presidente Michel Temer mas, até a última atualização desta reportagem, ainda não havia recebido resposta.

    Campanha única

    Saud foi questionado por um dos procuradores se, ao distribuir a propina da JBS, “via” a campanha de Dilma e Temer em 2014 como um só ou separadas.


    “Como duas campanhas?”, perguntou o delator. “Uma de vice e outra de presidente”, respondeu o procurador.
    “Não, uma campanha só, era uma campanha única. O dinheiro saída do PT e ia para o PMDB, do PMDB pro PT”, afirmou Saud (veja no vídeo acima, a partir de 19mn50).
    O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) julga ação em que a chapa Dilma-Temer é acusada, pelo PSDB, de ter cometido abuso de poder político e econômico e de ter recebido dinheiro de propina do esquema de corrupção que atuava na Petrobras investigado pela Operação Lava Jato. Atualmente, o PSDB integra do governo Temer, no qual detém quatro ministérios.
    A defesa de Temer alega que ele não pode ser responsabilizado por eventuais irregularidades na captação de recursos para a campanha de 2014. Os advogados reforçam que as condutas de Temer e Dilma devem ser separadas porque ele abriu uma conta diferente daquela usada pela petista para receber doações.
    De acordo com o delator, a JBS disponibilizou uma conta com R$ 300 milhões em propina para serem usados pela campanha de Dilma e Temer em 2014. Esse dinheiro, de acordo com o ele, saiu do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e de “fundos”.

    R$ 1 milhão no bolso

    No mesmo depoimento, Saud afirmou aos investigadores que o presidente Michel Temer recebeu R$ 15 milhões do PT para financiar sua campanha à Vice-Presidência, em 2014, mas decidiu "guardar" R$ 1 milhão.
    G1 questionou Temer sobre a afirmação do delator, via assessoria do Palácio do Planalto, mas, até a última atualização desta reportagem, ainda não havia recebido resposta. Veja a matéria original clique aqui


    Via G1
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