13 de abr de 2017

  • Executivo da Odebrecht revela R$ 12 milhões em propina para Blairo

    João Pacífico afirmou aos investigadores da Lava Jato que dinheiro para campanha do atual ministro da Agricultura, em 2006 ao governo de Mato Grosso, saiu de repasses da União

    Blairo Maggi. Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado
    Blairo Maggi. Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado
    Um dos delatores da Construtora Norberto Odebrecht relatou à força tarefa da Lava Jato que o ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP), recebeu uma contribuição de R$ 12 milhões para sua campanha ao governo de Mato Grosso em 2006, relativo à propina por pagamento de repasses da União ao governo estadual. O diretor da construtora João Antonio Pacífico Ferreira disse que o esquema também beneficiou políticos de Mato Grosso do Sul – o então governador, Zeca do PT, que teria recebido R$ 400 mil, o ex-senador petista e candidato derrotado ao governo, Delcídio Amaral, R$ 2 milhões, e o candidato vitorioso, André Puccinelli (PMDB), R$ 2,3 milhões.
    Na versão do delator, o dinheiro para a campanha de Blairo Maggi foi entregue ao então secretário estadual da Casa Civil Eder Morais Dias. “Claro que o Eder dizia que o governador tinha conhecimento. Mas nunca esse assunto foi tratado com o governador”, ponderou. “O que imaginamos é que um pagamento desse valor, dessa magnitude, ele teria conhecimento”, completou. Na delação, Maggi é descrito pelo codinome “Caldo”.
    A propina que teria sido injetada no caixa da campanha de Maggi correspondia a 35% de uma dívida da União para o pagamento da obra da rodovia MT-010, coordenada pelo governo do Mato Grosso e executada pela construtora de 1986 a meados dos anos 1990.
    A União repassaria os recursos para o governo do Estado coordenar o trabalho da obra, mas a dívida ficou pendente. No caso de Mato Grosso do Sul, a construtora buscava receber pela execução da obra da MS-030, também realizada nesse período.
    Em 2004, foi firmado um acordo para o pagamento das dívidas com os dois Estados, intermediado pelo então ministro da Fazenda, Antonio Palocci, tratado como “Italiano” na delação. Dois anos depois, foi criada uma comissão especial formada por agentes públicos dos dois Estados para estabelecer os valores devidos pela União.
    Com a derrota de Delcídio Amaral em Mato Grosso do Sul, o pagamento ficou adiado mais uma vez. A Odebrecht, então, começou a negociar com o candidato vitorioso, André Puccinelli, do PMDB. A negociação só foi concluída em 2010, quando Puccinelli disputou a reeleição. A construtora pagou propina ao governador, segundo o delator.
    COM A PALAVRA, BLAIRO MAGGI
    O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento Blairo Maggi disse lamentar ter seu nome ‘incluído numa lista de pessoas citadas em delações da Construtora Odebrecht, sem que tivesse qualquer possibilidade de acesso ao conteúdo para se defender’.
    Maggi afirma que não recebeu doações da Odebrecht para campanhas eleitorais e que não tem relação com a empresa ou os seus dirigentes. “Tenho minha consciência tranquila de que nada fiz de errado.”

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