20 de jan de 2017

  • Quem matou Teori Zavascki? Polícia Federal abre Inquérito para investigar acidente...

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    Polícia Federal abre Inquérito para investigar acidente que causou a morte do Ministro Teori Z.

    Por Elisa Robson*
    Todo ano, desde o dia 23 de maio de 1992, repete-se um espetáculo de civismo na Itália. Mais de 20 mil pessoas se reúnem em frente ao apartamento em que morava o juiz Giovanni Falcone e sua esposa, a juíza Francesca Morvillo, em Palermo. Ambos assassinados pela máfia siciliana. Lá, a multidão presta uma homenagem aos magistrados deixando bilhetes em uma figueira, localizada em frente à residência, que foi batizada de “A árvore da vida”.
    Esse gesto é considerado um ato simbólico contra a máfia e também serve para manter vivas as ideias de Falcone.
    O casal foi morto pelo grupo “Cosa Nostra”. Na época, Falcone preparava projetos de leis antimáfia para o Ministério da Justiça e da Graça. Ele também havia conduzido um maxiprocesso que tinha acabado com a impunidade da organização criminosa.
    Juntamente com outro juiz, Paollo Borsellino (também assassinado), Falcone havia, pela primeira vez na história, desnudado em público a temida Cosa Nostra e os seus tentáculos. A investigação engrenou após a prisão no Brasil, em 1983, do mafioso Tommaso Buscetta, que ficaria conhecido como o primeiro dos “arrependidos” a colaborar com a Justiça italiana.
    Com o trabalho de Falcone e Borsellino foi possível conhecer os métodos, as formas de recrutamento, os ritos e os crimes praticados. Também ficaram evidentes as ligações da Cosa Nostra com organizações criminosas internacionais e suas relações com políticos poderosos como Giulio Andreotti, por sete vezes primeiro-ministro da Itália, que chegou a ser condenado por associação mafiosa.
    Ambos integravam a “Operazione Mani Pulite” (Operação Mãos Limpas), o modelo de investigação que inspirou o juiz Sérgio Moro. A Mãos Limpas prendeu 2.993 pessoas, investigou mais de 6.000, durou 4 anos e o eixo era a delação. Um delatava 5, 5 delatavam 10 e o processo gerava uma multiplicação de réus, delatados pelos réus anteriores. A operação investigou 872 empresários, 438 parlamentares, 4 Primeiro Ministros e liquidou com os maiores partidos políticos do País.
    ***
    Ontem (19), faleceu o ministro Teori Zavascki, relator da Operação Lava Jato no STF (Supremo Tribunal Federal). O avião em que viajava caiu em Paraty, litoral sul do Rio de Janeiro. A tragédia gerou consternação no meio jurídico, político e empresarial.
    Zavascki tinha em mãos a bombástica delação da Odebrecht. Investigadores da Lava Jato trabalhavam com a previsão de que boa parte do conteúdo das colaborações premiadas se tornaria pública na primeira quinzena de fevereiro. A divulgação dos relatos de 77 delatores ligados à empresa causava apreensão no mundo político, que seria diretamente atingido pelas investigações. A expectativa era de que o ministro, a pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, retirasse o sigilo da maioria dos cerca de 900 depoimentos tão logo as delações fossem homologadas. O que deveria ocorrer após o fim do recesso do Judiciário, nos primeiros dias de fevereiro.
    Como relator da Lava Jato na Corte, cabia a Zavascki validar as delações. Ou seja, decidir se os depoimentos se tornariam ou não provas contra os acusados. Após a homologação dos acordos e divulgação do conteúdo, a Procuradoria-Geral da República e a Força Tarefa poderiam realizar operações e solicitar diligências, como quebra de sigilo bancário e telefônico de investigados.
    Nos dois casos, italiano e brasileiro, o combate à corrupção era o foco central da vida dos personagens. Nos dois casos, as investigações ocorriam no sentido de revelar como a corrupção se infiltrou nos mais altos escalões da sociedade. Nos dois casos, a força de organizações criminosas esteve relacionada às suas ligações com o setor da construção civil.
    E as semelhanças não param por aí.
    A Itália, por quase quarenta anos, foi governada pelo partido Democrazia Cristiana (abolido em 1994 em decorrência da Operação Mãos Limpas). Durante esse período em que a política italiana foi dominada por um único grupo, as ligações entre políticos e empresários se tornaram arraigadas, e isso estimulou o crescimento do crime organizado. No Brasil, foram treze anos de supremacia petista e o escândalo do maior esquema de desvio de dinheiro público na história do país.
    Assim como aconteceu entre a Odebrecht e o PT, a máfia adentrou todos os grandes setores industriais do país, se entranhou nas instituições e criou uma intrincada rede de corrupção entre políticos, empresários e empreendimentos.
    Como consequência dessa total infiltração, o crime organizado se espalhou, tanto na Itália quanto no Brasil, como uma forma de câncer que se tornou praticamente intratável, progredindo até o estágio que atingiu em cheio a economia de ambos os países.
    O dia 23 de maio tornou-se uma data inesquecível para os italianos, que se apegaram à “Árvore da Vida” para manter vivo o sentimento de que combater a corrupção é uma questão de honra junto à memória daqueles que, corajosamente, arriscaram suas vidas por amor ao país.
    O dia 19 de janeiro também deveria ser marcado por nós. Combater a corrupção, mais do que nunca agora, é uma questão de honra para os brasileiros. Precisamos escolher em que símbolo vamos nos apegar para manter vivo esse sentimento. Afinal, está morto o ministro que era peça-chave no processo de limpeza da nossa nação.
    Por fim, assim como no caso dos magistrados italianos, a primeira conclusão que chegamos é: quem matou Teori Zavascki foi a corrupção.
    Elisa Robson é jornalista, administradora da página República de Curitiba e do site Movimento Mãos Limpas.

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