20 de nov de 2016

  • 124 bilhões de dólares e uma conta chamada “Tucano”

    Antes de o leitor relembrar (ou conhecer) o caso escabroso que segue, é importante reafirmar que a podridão de antes não inocenta ninguém, mas serve pra provar a hipocrisia dos que hoje posam como arautos da moralidade

    banestado fhc sergio moro alberto yousseff




    Armando Rodrigues Coelho Neto, GGN
    chamadas contas CC5. Há quem diga que, na época, nem as reservas 
    brasileiras em moeda americana chegavam a esse total. O banco usado 
    para a roubalheira foi o Banestado e o ralo era Foz do Iguaçu/PR, cidade onde 
    antes durante ou depois foi trabalhar o tal “Japonês da Federal”, que nada tem 
    a ver com a história.

    Também meio antes, durante ou depois – a essa altura pouco importa, aconteceu a 
    CPI dos Precatórios, que desaguou numa tal Operação Macuco da Polícia Federal, que 
    entrou em cena e descobriu que pelo menos US$ 30 bilhões daquela cifra foram 
    remessas ilegais.

    Durante as investigações, a Procuradoria da República ia junto aos órgãos oficiais, 
    perguntava uma coisa, respondiam outra. Refazia o pedido e a resposta vinha 
    incompleta. E aí, ela radicalizou: pediu a quebra de sigilo de todas as contas CC-5 do 
    País. Sugiro ao leitor uma visita ao Google para entender melhor essas tais contas.

    PF descobriu que o dinheiro passava por Nova Iorque (EUA), uma roubalheira que 
    apesar de gigante, seria apenas a ponta de um iceberg. Entre os suspeitos estavam empresas financiadoras de campanha, alto empresariado em geral e membros da alta 
    cúpula do governo brasileiro da era Fernando Henrique Cardoso.

    O rombo era tamanho que os promotores americanos, abismados com o volume de 
    dinheiro que havia transitado por aquela cidade, quebraram sigilo bancário em Nova 
    Iorque. A equipe da PF foi reconhecida e ganhou a simpatia até do enfadonho e
    burocrático Banco Central (EUA), além da FBI (Polícia federal americana).

    O mecanismo descoberto era e é um traçado muito bem articulado, de forma
    que os verdadeiros nomes dos titulares não possam aparecer. Desse modo, num
    passe-repasse, plataformas financeiras e coisa e tal, os trabalhos para ocultação
    envolvem ou envolveriam até cinco camadas ocultadoras.
    Com esse grau de sofisticação, investigar seria percorrer o complexo
    caminho inverso, mergulhar nas tais camadas, até que se chegar aos
    verdadeiros titulares do dinheiro.
    Estava tudo tão bom e tão bem protegido, que a prática consolidou-se, e como a
    corrupção no País é endógena, além de “lubrificar economias” (a Organização de
    Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE que o diga!) as ratuínas foram
    abrindo a guarda. Com impunidade garantida, alguns grandes nomes relaxaram e
    apareceram por descuido.
    Haja descuido! Surgiu até um óbvio – “Tucano” e um aleatório “Serra”.
    Tão óbvio que deixou perplexo não só o delegado que coordenava o trabalho, 
    mas também os procuradores. Mero ato falho e primário, em tempos de abertura
    de guarda, de “engavetadores gerais da República”. Tempos de gente honrada e 
    das panelas silenciosas, da dita “grande mídia” calada,
    dos arautos da moralidade hodierna.
    Há uma entrevista no Youtube com o delegado federal José Castilho Neto,
    coordenador da Operação Macuco. Sem fulanizar ou partidarizar, ele reclama
    da oportunidade aberta e perdida, naquela época, para o enfrentamento da banda
    podre, seja da política, seja do empresariado. O Cônsul do Brasil, que trabalhava em
    Nova Iorque, teria dito para as autoridades americanas que a cabeça do delegado
    Castilho “estava a prêmio”. Só não disse quem seria o pagador, se os protegidos ou
    os protetores.

    Castilho foi afastado. E o leitor a essa altura deve estar se perguntando:
    por que esse saudosismo tanto tempo depois?
    Primeiramente para lembrar que a podridão de antes não inocenta ninguém.
    Mas serve pra provar a hipocrisia dos que hoje posam como arautos da moralidade.
    Mostra o cinismo dos paneleiros e demonstra com cristalina clareza a postura
    golpista da dita “grande imprensa”.
    Em segundo lugar, para não ter que retornar aos tempos do Brasil Colônia ou da mordaça da ditadura militar, eu simplesmente gostaria de reafirmar que esse caso escabroso, narrado lá em cima, ocorreu na era do impoluto Fernando Henrique Cardoso. Sabe qual emissora de televisão de maior audiência? TV Globo. Sabem quem era o doleiro? Alberto Youssef. Sabem quem era o juiz? Sérgio Moro.
    Via Pragmatismo Político 
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