25 de out de 2016

  • TEM MAIS GENTE LENDO


     

    Uma cidadezinha do interior de São Paulo vivencia uma série de crimes contra pessoas ruivas. Irmão de uma das vítimas, o jovem Alberto, de 13 anos, decide investigar o caso com a ajuda do desacreditado Inspetor Pimentel. A trama  de ‘O Escaravelho do Diabo’, de Lúcia Machado de Almeida, é de 1972, e fez parte da icônica série Vaga-Lume. Foi um dos meus primeiros livros de cabeceira e fiquei surpreso e feliz ao saber agora que ele chega aos cinemas em janeiro do próximo ano, em uma adaptação dirigida pelo Carlos Milani.
    Pois é, final dos anos 80 e lá estava eu para cima e para baixo com ‘O Escaravelho do Diabo’ debaixo do braço, seja no ônibus da escola, no metrô, na lanchonete, no shopping, na pracinha… Nada muito diferente do cenário que vejo nesse 2015. Por onde passo, trombo com jovens circulando com seus exemplares de Harry Potter, O Hobbit, Jogos Vorazes, A Culpa é das Estrelas e Garota Exemplar debaixo do braço. E daí que – em plena semana de um dos eventos mais importantes da literatura nacional, a FLIP – acho mais do que pertinente levantar aqui a questão: de onde tiraram esse clichê de que os jovens não gostam de ler?
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    A propósito do tema, no início desse ano, o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, propôs um desafio para si e para seus seguidores: ler um livro a cada duas semanas, ou seja, 26 livros até o final de dezembro. Suas escolhas tem sido compartilhadas em uma comunidade na rede social chamada “A Year of Books“, com mais de 446 mil curtidas. A página é um fenômeno de audiência entre os jovens, com uma enxurrada de interações. Há quem exponha suas opiniões sobre cada passagem do livro, elogie ou critique as escolhas, indique obras complementares….
    Seguindo também na contramão do ‘coro dos descontentes e desgostosos’, o Tem mais gente lendo, projeto criado há dois anos pelos jornalistas Sérgio Miguez e Hamilton dos Santos, dedica espaço justamente àqueles que tem se entregado ao prazer da leitura. E os jovens – pasmem! – são maioria no meio! Tudo começou com a hashtag #temmaisgentelendo, com a qual Sérgio marcava as fotos de pessoas lendo nos vagões do metrô de São Paulo que postava nas redes sociais. Do metrô, ele e Hamilton expandiram sua ‘cobertura’ para outros espaços públicos, como parques, ônibus e praias. Já são mais de mil fotos publicadas e compartilhadas nas redes sociais pelo projeto – que acaba de lançar um site de apoio com conteúdo ligado à literatura.
    Deixando, portanto, os clichês e lugares comuns de lado, a grande questão que se apresenta, no final das contas, é saber por que há um grande número de jovens que ‘acham’ que não gostam de ler, até porque não cultivam esse hábito. Abro aspas aqui para a escritora Ana Maria Machado, que diz que nunca encontrou um jovem que não ‘gostasse’ de ler: “…Encontrei muitos que achavam que não gostavam. Mas depois descobriam que não gostavam daquele tipo de leitura que lhes estava sendo imposta. É preciso poder escolher. E ter variedade para escolher. Depois de rejeitado o primeiro livro, o segundo, quantos forem necessários, virá um que traga uma descoberta. Por isso, costumo dizer que ler é como namorar. Quem acha que não gosta é porque está com um parceiro que não lhe dá prazer. Trate de trocar.” (Retratos da leitura no Brasil 3 , Capítulo 1 – Sangue nas veias – p. 60).

    Via http://noo.com.br/tem-mais-gente-lendo/

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