14 de out de 2016

  • conversa com modelo que expôs o submundo da moda num post no Facebook

    Conversamos com a modelo que expôs o 

    submundo da moda num post no Facebook

    Em seu "textão" (como ela mesmo chamou), Délleny 

    Mourão denunciou abusos que, segundo ela, suas colegas 

    de profissão sofrem







    Na última segunda-feira (10), um depoimento online da ex-modelo cearense Délleny Mourão, de 20 anos, chocou a internet. Em um post em sua página no Facebook, intitulado “DESABAFO: PORQUE NÃO QUERO MAIS SER MODELO!”, ela expôs problemas que passou durante a sua curta carreira na moda, agenciada pela Joy Model Management, de São Paulo. Por exemplo, ressaltou a pressão recebida para ter um corpo no “padrão” (e, diga-se, um “padrão” nada saudável), para usar drogas e remédios de emagrecer e, ainda, relatou  casos de assédio sexual.
    Confira:
    A história fez lembrar, por exemplo, o que relatava (e parecida forçado, a alguns de fora) a popular novelaVerdades Secretas, da Rede Globo, exibida no ano passado. Na trama, abordou-se o mundo da moda, focando nos bastidores por trás do glamour. O enredo focava, principalmente, casos de agências que forçavam as modelos a se prostituir (hábito que Délleny Mourão diz ser comum no meio).
    Ouvida pelo #VirouViral, a agência desmentiu as denúncias de sua ex-contratada e deu outra justificativa para o cancelamento da parceria com Délleny: a empresa não teria conseguido contato com a cearense após descobrir que ela estaria procurando outras agências, rivais, para trabalhar. A Joy Model ainda afirmou que disponibiliza nutricionista e psicólogo como suporte a todos os seus modelos .
    Sobre a acomodação das profissionais, também alvo de críticas por parte da cearense, a agência afirmou que “uma casa pode chegar a ter 15 meninas em época de temporada de moda”, mas que todas ficariam “bem acomodadas”. Por último, a companhia defendeu que sempre orienta os agenciados a não consumir drogas ou se relacionar amorosamente com pessoas do meio com o objetivo de conseguir trabalho. Novamente, atitudes ressaltadas por Délleny como práticas usuais.
    Natural de Fortaleza, Délleny começou a carreira no ano passado, após ganhar o concurso The Look of The Year 2015, promovido pela Joy Model, e, então, mudou-se para São Paulo, há 6 meses. A seguir, ela explica, em longa conversa que teve com a repórter Talissa Monteira, via WhatsApp (por exigência da entrevistada), quais suas motivações para denunciar a situação. E, ainda, revelou um pouco mais sobre o que viu nos bastidores.
    (Em tempo: além disso, indo contra alguns boatos que circulam, afirma categoricamente que seu post no Facebook não se trata de uma ação de marketing, ou algo similar, de alguma campanha (ou, novamente, algo similar))
    Por que você decidiu expor sua história? O que me motivou a abrir o caso foi tudo o que passei e, principalmente, saber que tenho amigas que ainda não acordaram frente à situação deplorável à qual somos submetidas e, por isso, aceitam tudo isso de olhos fechados. Foi um sentimento de desabafo, algo que estava engasgado e que precisava gritar para o mundo. Não sabia da proporção que tomaria, pela internet. Acabou sendo bem além do que eu imaginava.
    Mas você já tinha alguma noção de como as coisas funcionavam nessa carreira? As modelos, em geral, sabem, sim. Mas claro que há exceções. Eu era um pouco alienada e também não imaginava que tudo que escutei antes de ser modelo era exatamente assim. As agências te manipulam para acreditar que o sucesso vai acontecer para você. Já foi me dito, por exemplo, que eu viajaria para Milão ou Los Angeles. Nunca aconteceu. Concordamos com tudo por causa de um sonho e, muitas de nós, chegam até a fazer coisas piores por conta disso. É triste.
    Que tipo de coisas piores? Há, por exemplo, histórias de prostituição, como as contadas na novela global Verdades Secretas? Não é exatamente como a novela mostrou. Mas isso acontece, sim. Vamos dizer que é um pouco mais sútil e não leva esse nome, dentro de nosso círculo. Funciona assim: a agência leva um grupo de meninas para uma balada ou a um restaurante de um promoter. Nessa festa, porém, alguns caras dão em cima de nós e pedem nosso contato. Aí só dá quem quer. Quando morei no apartamento com outras colegas, por exemplo, algumas meninas saíam todos os dias para jantar com algum promoter. Por quê? Essas pessoas são influentes e conhecem as marcas, os estilistas ou até são sócios e donos dessas empresas. Aí, esses acabam escolhendo para o trabalho só as meninas que saem com eles. Agora, posso te afirmar que com os meninos (os modelos homens) isso chega a ser muito mais pesado e escancarado.
    E as agências falam algo sobre isso com vocês, acerca desse convencimento de “jantar” com promoters em troca de trabalho? Alguns até falam para as modelos que elas não deveriam aceitar esses convites. Só que acho que é só “papo”, mesmo. Até porque, todos se conhecem no meio. Ou seja, a agência sabe bem quem é e o que quer cada prometer, em cada lugar para o qual nos convencem a ir, dizendo que lá teriam muitos clientes, pessoas do meio, famosos etc. Em outras palavras, nos manipulam para sermos simpáticas e até mesmo para nos fazermos de “burras” diante de situações estranhas.
    Quais tipos de situações estranhas? Por exemplo, esses lugares são cheios de drogas e bebidas. Nas vezes em que fui a essas festas, quando a presença das modelos da agência era obrigatória, não vi tanta coisa, pessoalmente, até porque ia embora bem cedo. E o mais rápido possível. No dia seguinte, escutava as histórias relatadas pelas colegas.
    Como era esse apartamento no qual você morava? Muito cheio. Em período de São Paulo Fashion Week, então, lotava muito. As meninas chegavam a dormir no chão e a passar dias sem ter nem acesso a um armário na cozinha ou no quarto para guardar pertences pessoais. Em geral, éramos 23 modelos e 1 booker responsável, todos na mesma residência (o outro lado: a agência alega que seriam apenas 15 moradores, não esses 24).
    A agência pedia para que vocês mantivessem algum padrão corporal extremo, como relatou no post? Sim. A exigência para o quadril, por exemplo, era de 87 centímetros (a média da brasileira é 102). Mas uma vez um booker (responsável pela carreira e vida pessoal da modelo) da agência chegou a me falar que, por consequência de minha altura, “baixa” (1.76 cm), eu tinha de chegar aos 86 centímetros de quadril. Inclusive, toda segunda-feira era necessário realizar a medição na agência, na qual todas as modelos eram obrigadas a comparecer. No banheiro tinha uma fita métrica e, nos quartos, também. O assunto da casa sempre era dieta e comida.       
    Quanto você ganhava por trabalho? Isso é muito relativo. Fiz poucos e não recebi pagamento em dinheiro, por nenhum. Em todos, o negócio acabava numa permuta. Como roupas, por exemplo.
    E você desistiu mesmo da carreira? Já sabe o que vai fazer agora? Sim, desisti. Depois do post, recebi até propostas de agências, até internacionais. Mas, no momento, não quero pensar nisso. Espero ajudar a desmascarar essa parte obscura do mundo da moda e, principalmente, auxiliar meninas que ainda estão imersas nesse meio.
    Via http://veja.abril.com.br/blog/virou-viral/conversamos-com-a-modelo-que-expos-o-submundo-da-moda-num-post-no-facebook/

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