21 de mai de 2016

  • A Direita Ainda Não Entendeu Suas Prioridades (A guerra continua!)


    Dissemos em artigo recente que o petismo em breve deixará de ser item de pauta política para se restringir ao noticiário policial, e continuamos com a mesma avaliação. E uma das ironias da história recente do país é que o último grande fato de repercussão política associado ao petismo será de natureza policial e criminal: a possível prisão de Lula em decorrência, entre outros, das investigações da Polícia Federal sobre as suspeitas de sua atuação como lobista da Construtora Odebrecht junto ao BNDES em operações em Cuba e países africanos.
    A provável prisão do chefe da organização criminosa com registro partidário que quase conseguiu destruir o país para implantar sua ideologia socialista, será o epílogo eloqüente da derrocada do projeto de poder mais ambicioso que os comunistas já empreenderam no continente latino-americano. Um projeto que foi derrotado na esfera institucional, mas cuja ideologia que o ensejou, ideologia esta que estava na base de seus métodos criminosos, ainda não foi derrotada e tem que continuar sendo combatida todos os dias também em outras frentes.
    Uma dessas frentes é a própria esfera institucional. Pois, apesar de o petismo ter sido apeado do poder de fato, ele ainda está presente nas entranhas do estado como entulho ideológico embrulhado sob a forma de diversas políticas públicas estatais que ainda estão sendo implementadas. É esse o real sentido que damos à expressão despetezar o estado: não basta exonerar militantes partidários que aparelharam a máquina estatal. É preciso também rever e, quando for o caso, alterar ou mesmo suspender políticas públicas que sejam a expressão ideológica do projeto de poder que foi derrotado.
    Nessa tarefa mais exigente de despetezação, temos que reconhecer a falta de habilidade e de capacidade política que a direita exibiu até momento para tratar desse desafio de forma apropriada, se municiando das estratégias corretas para pressionar o novo governo nesse sentido. Em vez disso, muitos atores políticos de direita, institucionais ou da sociedade civil, estão se ocupando em saber se a ex-presidente irá ou não continuar tendo avião à sua disposição e questionando sua permanência na residência oficial da presidência às custas do erário. Essas questões, ainda que importantes, são secundárias ante a real tarefa de despetezar o estado brasileiro.
    Não podemos ser ingênuos: Exceto em áreas sensíveis como economia e política externa, o novo governo, por se inserir na tradição patrimonialista e fisiológica da cultura política brasileira, não irá promover o desaparelhamento ideológico do estado brasileiro por vontade própria. Ele tenderá em vez disso a fazer acomodações. A remoção efetiva do entulho ideológico deixado principalmente pelos treze anos de petismo, mas também herdado em parte dos oito anos de governo tucano anterior, somente irá ocorrer como resultado de um embate político-ideológico no qual a direita conservadora terá um papel central.
    Um papel que a nação espera, mas que nós não estamos sendo capazes até o momento de desempenhar à altura. Um exemplo dessa nossa incapacidade é a resposta pífia que temos dado ao poderoso lobby de artistas rouanetes contra a extinção do Ministério da Cultura. Um lobby tão eficiente que fez Michel Temer recuar em parte, como era de se esperar. Por outro lado, tudo que a direita conseguiu produzir foi uma campanha virtual tola de boicote a um certo filminho bancado pela Lei Rouanet, filminho esse que de resto ninguém iria assistir mesmo, como a maioria das medíocres produções cinematográficas nacionais bancadas com recursos públicos.
    Outro exemplo da inépcia da direita brasileira nesse momento foi a nossa incapacidade de pressionar o governo para impedir a nomeação de uma esquerdista para a Secretaria Nacional de Direitos Humanos. Ainda falaremos desse órgão em outro artigo, mas é importante lembrar que durante a era petista essa secretaria se tornou o bunker e o centro de gestação das políticas socialistas de linha dura do partido. Políticas essas mais explicitamente alinhadas com a agenda ideológica da esquerda e com forte componente de engenharia social, e que tinham como foco o cerceamento da liberdade de expressão e de imprensa, a proteção da criminalidade, políticas pró-aborto, demonização das polícias militares, entre outros. Todas elas sob o manto eufemístico de direitos humanos.
    A direita conservadora tem a obrigação de em primeiro lugar compreender a dimensão da vitória que a sociedade brasileira obteve ao derrotar o petismo, como apontamos nesse artigo aqui. Mas precisa compreender também os desafios que temos pela frente ante a natureza do novo governo, conforme descrita também no referido artigo. Ou compreendemos esses novos dados da realidade para definir nossa estratégia política de maneira eficaz, ou ficaremos perdendo tempo nos ocupando de questões secundárias enquanto a esquerda, por meio de seus poderosos lobbies artístico, acadêmico e da imprensa prosseguirá fazendo a grande política junto ao novo governo obtendo vitórias ou no mínimo impedindo novas derrotas.

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