21 de abr de 2016

  • Temer precisará blindar a Polícia Federal


    Vice terá de ir além de declarações e demonstrar com atos que a PF continuará com autonomia, para ficar claro que não importa que o PMDB seja alvo da Lava-Jato


     

    Não se discute que é no campo econômico que o vice-presidente Michel Temer terá as mais urgentes demandas, caso o impeachment da presidente Dilma venha a ser consumado pelos senadores. Mas não se deve menosprezar, no plano político, o posicionamento que terá um possível governo Temer diante do combate à corrupção e, em especial, da Operação Lava-Jato.

    E devido a fundadas razões. Pois o PMDB do vice-presidente é, ao lado do PT e do PP, partido beneficiado no petrolão, como mostra a Lava-Jato. Parte dos muitos milhões surrupiados do caixa da Petrobras por meio de um esquema em que diretores da estatal apadrinhados por políticos assinavam, com empreiteiras pré-escolhidas, contratos superfaturados foi para peemedebistas. Isso não mais se discute, consta de autos de processos que já condenam acusados pelo juiz Sérgio Moro.

    Veja também: Desvio para campanha de Dilma...
    Não bastasse isso, há pelo menos um peemedebista muito próximo ao vice-presidente arrolado nas investigações da Lava-Jato: senador Romero Jucá, de Roraima, atual presidente em exercício do partido, citado na delação premiada do empreiteiro da UTC, Ricardo Pessoa, o primeiro a testemunhar sobre a existência da operação de lavagem de dinheiro de propina na Petrobras com a conversão dos recursos em doações legais a candidatos e partidos.

    Jucá confirmou ter pedido apoio de Pessoa à campanha do filho em Roraima, enquanto Pessoa afirmou ter entendido que aquela doação seria em troca de contratos da UTC para a construção de Angra 3, firmados com a Eletronuclear.

    Constatar, enquanto se aproximava a votação da admissibilidade do impeachment na Câmara, quão próximo é o relacionamento entre Jucá e Temer fez levantar justificáveis temores com relação à autonomia que terá a Polícia Federal, peça-chave na Lava-Jato, com o vice no poder.

    Michel Temer, portanto, se desejar se contrapor ao lulopetismo também na ética, como quer a sociedade, caso Dilma seja mesmo impedida, precisa se preparar para blindar a Polícia Federal contra qualquer interferência indevida.

    Na guerra de informações que houve no fim de semana entre dilmistas e correligionários de Temer, pela internet, o vice-presidente, atacado exatamente por este flanco ético, divulgou declaração em apoio à Lava-Jato. Precisará fazer bem mais, com ações objetivas que garantam que a PF continuará com liberdade operacional, e, em Curitiba, trabalhando de maneira afinada com o Ministério Público e a Justiça.

    Um ato simples, mas de forte poder de sinalização será manter na direção-geral da PF o delegado Leandro Daiello, há cinco anos à frente da instituição. Ele acompanha a Lava-Jato desde o início.

    O sinal precisa ser bastante forte, porque não é apenas Jucá o único peemedebista implicado na Lava-Jato. Há Renan Calheiros, Edison Lobão, Eduardo Cunha, apenas para citar a bancada do partido no Congresso.


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