5 de abr de 2016

  • Lava-Jato: MPF pede prisão preventiva de Ronan e Silvio Pereira; luz vermelha acende no Planalto

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    Nesta terça-feira (5), o Ministério Público Federal (MPF) pediu a prisão preventiva do empresário Ronan Maria Pinto e do ex-secretário-geral do PT, Silvio Pereira, conhecido como “Silvinho Land Rover”. Eles tiveram a prisão temporária decretada na última sexta-feira (1º), na Opera Carbono 14, 27ª fase da Operação Lava-Jato. O MPF pediu a conversão em preventivas, sem prazo de soltura.
    “Em resumo, com o prosseguimento das diligências investigativas, constatou-se que parte dos valores emprestados fraudulentamente pelo Banco Schahin a José Carlos Bumlai se destinaram ao empresário Ronan Maria Pinto, de Santo André, em esquema que teria contado com a participação de Silvio José Pereira, ex-secretário geral do PT”, destaca a petição.
    “Além disso, foi constatado o envolvimento dos investigados em outros fatos criminosos. Ronan Maria Pinto já foi sentenciado a dez anos e quatro meses de reclusão por crimes contra a administração pública em Santo André, enquanto Silvio José Pereira foi denunciado pelo crime de quadrilha na AP 470 e foi apontado, recentemente, pelo colaborador Fernando Moura como um dos beneficiários do esquema de distribuição de propina do Partido dos Trabalhadores da Petrobras. Fora isto, há suspeita concreta de que Silvio José Pereira foi agraciado por um veículo Land Rover da empreiteira GDK, também envolvida no esquema de cartel da Petrobras”.
    O MPF também solicitou a quebra dos sigilos bancário e fiscal do filho de Ronan, dono de uma offshore, em Miami, nos Estados Unidos. Se o juiz federal Sérgio Moro, responsável na primeira instância do Judiciário pelos processos de correntes da Lava-Jato, acatar o pedido, ambos podem ficar detidos até possível julgamento. Ronan Maria Pinto e Silvio Pereira são suspeitos de envolvimento em esquema de pagamento de propinas.
    Ronan é suspeito de receber R$ 6 milhões para não publicar no Diário da Grande ABC, do qual é proprietário, informações que ligariam o ex-presidente Lula e os ex-ministros José Dirceu e Gilberto Carvalho à morte do ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel (PT).
    De acordo com as investigações, o dinheiro teria sido repassado por meio de um empréstimo feito pelo pecuarista José Carlos Bumlai (amigo e conselheiro rural de Lula), junto ao Banco Schahin.

    Bumlai admitiu, em depoimento de colaboração premiada, ter contraído um empréstimo de R$ 12 milhões a pedido do PT, com a finalidade de pagar dívidas de campanha, sendo que metade do valor foi repassada à empresa Remar e, na sequência, a Ronan. O empréstimo não foi pago.
    Em depoimento na segunda-feira (4), Ronan Maria Pinto negou a chantagem e disse que pegou R$ 6 milhões da Remar para pagar a compra de uma nova frota para a empresa de ônibus da qual também é proprietário.
    A petição do MPF também cita outras denúncias contra Ronan. “O investigado foi condenado a mais de dez anos de reclusão pelos crimes de concussão e corrupção ativa relacionados aos desvios da Prefeitura de Santo André (sentença Anexo 39). Responde, ainda, a outro processo criminal por tráfico de influência (Anexo 47), também envolvendo a sua atuação junto à Prefeitura do município do ABC paulista, local do qual ainda atua como concessionário de serviço público. Destaque-se que há provas concretas de que RONAN MARIA PINTO se aproveitou de sua qualidade de concessionário do serviço público da região para se locupletar [enriquecer] indevidamente. Os registros juntados no anexo 50 evidenciam uma extensa lista de pendências do investigado com a Justiça Criminal”, ressalta o documento.
    Silvio Pereira também é suspeito de chantagem, além de ser acusado de ter intermediado as negociações entre Ronan e o Partido dos Trabalhadores. Há suspeitas, ainda, de que ele teria recebido dinheiro de empresas investigadas na Lava-Jato para não revelar o esquema de corrupção que durante uma década funcionou de forma deliberada na Petrobras. No mais, há indícios de que ele tenha recebido ao menos R$ 1,6 milhão e não há registro de prestação de serviços. Silvinho também negou as acusações em depoimento.
    O documento atesta que “Silvio Pereira participou diretamente do loteamento de 32 mil cargos comissionados do Governo Federal no início do Governo Lula, tendo influenciado na indicação de Renato de Souza Duque para a diretoria da Petrobras”. Ele também seria a pessoa que tinha contato direto com os empresários que mantinham contratos com a Petrobras para angariar propina para o PT. Silvio também é suspeito de receber “uma espécie de mesada cala boca do Partido dos Trabalhadores na época do Mensalão de contratos da OAS e UTC”.
    O pedido do Ministério Público Federal se deve ao fato de que ambos – Ronan e Silvio Pereira – podem atrapalhar as investigações deflagradas após a apreensão de documentos durante a Operação Carbono 14. Como os depoimentos da dupla destoam das delações de José Carlos Bumlai e do presidente do grupo Schahin, a força-tarefa decidiu pedir a transformação das respectivas prisões em preventivas. No caso de o juiz Sérgio Moro deferir o pedido do MPF, a situação do governo e do PT tornar-se-á ainda mais crítica, pois um eventual acordo de delação premiada de qualquer um seria catastrófico.

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