4 de abr de 2016

  • Crise brasileira: Maior empresa do Polo Industrial, Moto Honda demite 500 funcionários

    Programa de demissão voluntária para adaptar a estrutura da empresa à realidade do setor de duas rodas tem adesão de 500 pessoas

    Show hondaMoto Honda já foi a maior empregadora do distrito industrial com 10 mil funcionários; a marca é líder de mercado no Brasil

    A Mota Honda da Amazônia contabilizou mais de 500 adesões ao Programa de Demissão Voluntária (PDV) para fazer frente à crise econômica. De acordo com o setor de comunicação social da empresa, o programa foi anunciado no dia 26 de fevereiro deste ano.
    A redução do quadro de pessoal, por meio do programa de incentivos, teve como objetivo adaptar a estrutura da empresa à realidade do setor de duas rodas, que tem enfrentado forte retração nos últimos quatro anos. “Foram elegíveis ao PDV os empregados da Moto Honda, HTA Indústria e Comércio e Honda Componentes, exceto os que possuíam contrato por tempo determinado, os que estavam afastados, os com estabilidade legal e menores aprendizes”, disse a empresa.
    A Moto Honda esclareceu que o  PDV já foi encerrado e as datas para o desligamento dos funcionários que aderiram ao programa foram negociadas individualmente. “A Honda reitera seu compromisso com o Brasil e sua crença no potencial do mercado de motocicletas local. Há 40 anos, a empresa mantém em Manaus a maior fábrica de motocicletas da marca no mundo e seguirá empenhada na retomada dos patamares de produção para que possa seguir contribuindo com o desenvolvimento do País”, afirmou.
    Incentivo
    No final de março, empresários de sindicalistas do Amazonas e de São Paulo realizaram encontro para discutir a inclusão do polo de duas rodas da Zona Franca de Manaus (ZFM) e dos demais estados, no Programa Sustentabilidade Veicular.
    O programa, em estudo no governo federal, prevê que  veículos com mais de 20 anos de uso possam ser trocados por uma carta de crédito para compra de um novo.
    Mesmo sem a garantia de recursos federais, por conta do ajuste fiscal, os empresários do setor automobilístico apostam no aquecimento de compra de novos carros zero quilômetro. E na esteira da renovação da frota, o polo de duas rodas quer fazer parte das negociações porque acredita no aumento das vendas de motocicletas e contratação de novos trabalhadores.
    O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos (CNTM), Miguel Torres, informou, em matéria publicada na edição de A CRÍTICA do dia 26 de março, que o projeto da renovação da frota está sendo discutido no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), o Conselhão, e precisa da pressão dos trabalhadores e empresários para apressar o lançamento.
    Na mesma matéria o diretor de Relações Institucionais da Moto Honda, Paulo Takeuchi, mostrou-se preocupado com o atual momento por que passa o polo de duas rodas que vem amargando uma redução em mais de 30% na produção nos últimos quatro anos e, consequentemente, a diminuição nos postos de trabalho. Ele ressaltou que a participação dos trabalhadores é fundamental para alavancar o setor. “Sabemos que não haverá renúncia fiscal por parte do governo, mas a troca de veículos antigos por mais novos trará novas demandas o que aumentará a nossa produção”, disse Takeuchi na ocasião.

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