24 de abr de 2016

  • Até Putin admite: 'foi um erro' impor o comunismo na Europa

    Em sua entrevista coletiva anual, o presidente russo afirmou que 'é 

    preciso reconhecer' que usar a força para impor o modelo soviético 

    no leste europeu não foi uma boa escolha

    Ativistas contrários à influência russa derrubam a maior estátua de Lênin na Ucrânia, na cidade de Kharkiv, durante protesto na praça central da cidade
    Estátua de Lênin é derrubada na Ucrânia durante protesto(VEJA.com/AP)
    Demorou, mas até mesmo Vladimir Putin admitiu que impor o comunismo nos países do leste europeu após o fim da II Guerra Mundial foi um erro da Rússia. Acusado por alguns na Europa de ser ambíguo sobre a história soviética, o presidente russo reconheceu nessa quinta-feira que impor "pela força" o modelo socialista em países do leste europeu após a II Guerra Mundial não "foi uma boa ideia". As declarações de Putin são feitas quando se aproxima o 70º aniversário da vitória da antiga URSS contra a Alemanha nazista. Moscou organiza celebrações com grande pompa para esta data, 9 de maio de 1945, mas a maioria dos líderes ocidentais não comparecerão às cerimônias em razão do conflito na Ucrânia, onde rebeldes apoiados por Moscou buscam a independência no leste do país.
    "A escolha [de vir em 9 de maio] pertence a cada líder político. Alguns não querem vir, eu admito, outros não têm autorização" [de Washington] de vir mesmo que muitos desejassem", ironizou. O presidente russo, que já disse que a queda da URSS foi "a maior tragédia geopolítica do século XXI", mostrou-se crítico quanto a atitude da URSS de Joseph Stálin logo após o fim da II Guerra. "Após a II Guerra Mundial, tentamos impor nosso próprio modelo aos países do leste europeu, e fizemos isso por meio da força", declarou o presidente russo, admitindo que "isso não foi uma coisa boa". "É preciso reconhecer", insistiu durante sua entrevista coletiva ao vivo anual - feita com perguntas e jornalistas previamente selecionados, claro.
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    O chefe de Estado russo fazia referência ao estabelecimento após a II Guerra Mundial de regimes comunistas nos países do leste europeu, principalmente na República Tcheca, Hungria e Polônia. Por mais de quarenta anos, esses países do bloco socialista foram controlados em maior ou menor medida por Moscou. "Continuamos a sentir o eco" da política soviética da época, considerou Vladimir Putin, ressaltando, contudo, que os Estados Unidos fizeram o mesmo. "Os americanos se comportaram mais ou menos da mesma maneira, tentando impor um modelo em todo o mundo, e eles também vão fracassar", assegurou Putin.
    As tensões entre a Rússia e os ocidentais, que os acusa de envolvimento direto na crise na Ucrânia, reascenderam um velho fantasma sobre o controle da URSS de Stálin sobre os países do leste europeu. Os países bálticos e a Polônia, ocupados no passado pelas tropas soviéticas, temem que a atual guerra na Ucrânia seja o preâmbulo de uma repetição da história. Recentemente, o presidente polonês, Bronislaw Komorowski, considerou que os soviéticos realmente "acabaram com a ocupação hitlerista da Polônia", mas "não trouxeram liberdade".
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    Stálin e Hitler - Putin citou a adoção pelo Parlamento da Ucrânia de leis que remontam à memória visando a "dessovietização" do país. Estas leis colocam no mesmo patamar os regimes soviético e nazista e proíbem toda "negação pública" de seu caráter "criminoso", bem como a produção e utilização pública de seus símbolos - como hino, bandeiras ou a famosa foice e martelo - com algumas exceções. Contudo, Putin considerou que não há razões para colocar o nazismo e stalinismo no mesmo nível. "Ainda que fossem monstruosos do ponto de vista da repressão e das deportações de povos inteiros, o regime stalinista não tinha a intenção de aniquilar a população", considerou Putin .
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