Dilma Rousseff , em reunião com jornalistas internacionais no Palácio do Planalto, nesta quinta-feira, dia 24, reafirmou perante a todos a sua posição de não renunciar ao cargo de presidente. O encontro serviu como uma espécie de resposta à pressões externas que a presidente vem sofrendo para que deixe o cargo. Nas últimas semanas, a imprensa internacional tem dado destaque à crise política brasileira, com severas críticas ao panorama que o país enfrenta. Nesta mesma quinta-feira, a revista britânica The Economist publicou um editorial especial, com o título Time to go,em que defende abertamente a renúncia da presidente.

O encontro com Dilma Rousseff

Estiveram presentes ao encontro jornalistas internacionais representantes dos seis maiores veículos de comunicação espalhados pelo mundo. São eles: The New York Times ( Estados Unidos), El País ( Espanha), The Guardian (Inglaterra), Pagina 12 ( Argentina), Die Zeit (Alemanha), Le Monde (França).   

A reação imediata de Dilma Rousseff

Como já tem feito nos últimos dias, Dilma foi bastante enfática ao afirmar que não irá renunciar em hipótese alguma. Ela repetiu a mesma estratégia que vem pondo em prática quando indagada publicamente sobre o assunto. Além disto, a presidente afirmou que está em curso, no país, uma tentativa de golpe contra a democracia brasileira.

O que diz a imprensa internacional

The New York Times
O jornal americano The New York Times, deu bastante ênfase às declarações em que Dilma afirma que o impeachment não possui nenhuma base legal. Além disto, a presidente criticou diretamente o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), por acatar a abertura do processo. Isto seria uma forma de desviar as investigações sobre ele, pois o mesmo é acusado de receber dinheiro desviado no escândalo da Petrobrás. Segundo o periódico, Dilma declarou que vai usar de todos os métodos contra o processo. 
Ainda sobre o impeachment, o NYT afirmou que Dilma deverá ser julgada pela acusação de usar dinheiro desviado da Petrobrás em suas campanhas políticas e cita o caso das chamadas pedaladas fiscais. Tanto o jornal americano quanto o espanholEl País publicaram que, a nomeação de Lula para a Casa Civil, foi outro fator que contribuiu para agravar a crise. Dilma respondeu a este fato e afirmou que Lula fará parte do governo, mesmo que seja como assessor. Ela referiu-se à suspensão da posse do ex-presidente ordenada pelo STF.
The Guardian
O jornal britânico publicou as declarações de Dilma ao negar a própria renúncia e declarando-se que não é uma mulher fraca. Ele cita ainda as críticas dirigidas ao juiz Sérgio Moro, afirmando que “um juiz deve ser imparcial. Um juiz não pode julgar com paixões políticas”. No mais recente episódio da Lava Jato, o magistrado quebrou o sigilo telefônico da presidente e permitiu a divulgação de seu conteúdo. Ela ainda criticou as escutas feitas pela PF, afirmando que “Violar a privacidade fratura a democracia porque fere o direito de cada cidadão de ter uma vida privada”.
Dilma põe em dúvida a competência do próprio STF, ao questionar se o mesmo tem capacidade de julgar Lula. Ela referiu-se ao fato do ex-presidente obter a vantagem de foro privilegiado. Além disto, a presidente não economizou em tecer elogios à capacidade de articulação política de seu antecessor e padrinho na vida pública e ressaltou a sua sensibilidade para entender os problemas do país.