A operação Lava Jato avança em seus desdobramentos e agora se volta contra mais um dos líderes do governo de Dilma. Depois de Delcídio, as investigações estão sendo feitas contra o deputado federal José Guimarães (PT-CE), que comanda a bancada do partido na Câmara. De acordo com reportagem publicada nesta sexta-feira, dia 12, no site da revista Época, a delação de um integrante do PT, cuja identidade, a justiça mantém em sigilo por questão de segurança, relatou que José Guimarães recebeu dinheiro do Banco do Nordeste, através de propina, ao intermediar a liberação de empréstimo junto ao banco para um empresário no estado do Bahia.

Entendendo as circunstâncias - o delator petista e o acordo na Justiça

Em um acordo inédito, feito entre o Supremo Tribunal Federal (STF), com a homologação do ministro Dias Toffoli e a pedido da Procuradoria Geral da República (PGR), a identidade do delator está sendo mantida sob sigilo, por temer contra a sua própria vida e de seus parentes. Este tipo de mecanismo é permitido legalmente, para os padrões adotados pela operação Lava Jato. Sabe-se que tal delator é integrante do PT, com trânsito livre entre todos os setores do partido.

O esquema clandestino montado pelo PT para arrecadar dinheiro  

Vale ressaltar que para cada passo relatado sobre o esquema fraudulento do PT, o delator consegue apresentar provas concretas da operação. Os documentos que estavam em seu poder e que foram repassados para a Justiça, incluem o nome de José Guimarães, como uma das peças chaves de toda a operação.  Ele trabalhou entre 2005 e 2010 para o partido, cujo tesoureiro na época era Paulo Ferreira, marido da atual ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello. O antigo tesoureiro é o único que passou pelo cargo e não foi alvo das investigações. De acordo com o nosso delator, ele era o responsável por coordenar todas as operações que cobravam um 'pedágio' das empresas que queriam manter negócios com o governo.

Quem operava o esquema ?

O próprio delator era designado pelo tesoureiro para operar o esquema, que era bastante simples e já conhecido pela Lava Jato. As empresas que abocanhavam os contratos com empresas estatais e bancos públicos, no caso a Petrobras, contratavam empresas fantasmas que lhes prestavam serviços fictícios. O dinheiro pago a estas úitlmas, era rateado entre os petistas. Um dos beneficiários era o líder do PT, Jose Guimarães. Segundo as investigações, o deputado intermediou junto ao Banco do Nordeste, um empréstimo para José Antunes, sócio da Engevix. O parlamentar tratou de aproximá-lo do presidente do banco, que na ocasião era Roberto Smith, apadrinhado pelo próprio Guimarães. Daí, ficou fácil obter os R$ 260 milhões que saíram, no ano de 2011, dos cofres do banco para a construção de três usinas eólicas, na Bahia. Neste negócio, o petista deveria ser recompensado com R$ 2,6 milhões, correspondente a 1%. Entretanto, parte do valor deveria ser rateado com o partido e Guimarães recebeu R$ 95 mil, divididos em dois cheques, sendo um de R$ 30 mil e outro de R$ 65 mil. Do mesmo modo, o parlamentar foi beneficiado pelo esquema, ao receber os famosos dólares que foram parar na cueca do seu assessor, José Adalberto da Silva. O dinheiro era fruto de propina por outro empréstimo intermediado junto ao BNB, de R$ 300 milhões, para construção de linhas de energia, conforme apurado pelo MP. O deputado nunca foi punido.