12 de nov de 2015

  • GREVE SEM PEDIR SALÁRIO OU BENEFÍCIO É INÉDITA



    Estudos elaborados pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) desde a década de 1980 mostram que raramente as paralisações de trabalhadores ocorrem por conta de pedidos que não envolvam reajuste salarial ou outros benefícios laborais.

    No último levantamento do órgão, no qual analisa o ano de 2012, constatou que 68% dos pleitos envolvem aumentos de salários ou de vales-alimentação. Naquele ano, quando as paralisações voltaram a crescer no país, houve 873 movimentos grevistas. Nenhum deles pedia a não-venda de ativos da Petrobras ou a renúncia presidencial, diferentemente dos dois protestos que ocorrem agora.

    Os dados do DIEESE mostram também que, entre 1985 e 2012, os governos que proporcionalmente mais enfrentaram greves foram, respectivamente, o de Fernando Collor (1990-1992) e o de José Sarney (1985-1990). Na gestão Collor, a cada dia ocorriam três movimentos grevistas e na de Sarney, 2,9. Várias dessas paralisações eram incentivadas pelo ex-metalúrgico e então líder sindical Luiz Inácio Lula da Silva. Quando este virou presidente, em 2003, viveu praticamente sem confrontos com os movimentos de trabalhadores.

    Nos anos Lula (2003-2010), foram registradas 2952 paralisações, média de uma por dia nos dois mandatos presidenciais. A sua sucessora, apesar de ser do mesmo partido, não teve a mesma sorte ou, o mesmo traquejo para negociar com as entidades laborais. Nos primeiros dois anos da gestão Dilma Rousseff (2011-2012), a média diária de paralisações saltou para 1,9 – número superior aos anos de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), que era de 1,7. 

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