17 de out de 2015

  • O que leva alguém a chamar de "herói" um acusado de tortura?




    • Morreu nesta quinta-feira (15) Carlos Alberto Brilhante Ustra, acusado de torturas durante a ditadura militar
      Morreu nesta quinta-feira (15) Carlos Alberto Brilhante Ustra, acusado de torturas durante a ditadura militar
    Apontado como responsável pela prática de crimes durante a ditadura, o coronel reformado do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra foi exaltado por simpatizantes nesta quinta-feira (15). Internautas trataram o militar como herói em comentários publicados nanotícia de sua morte, em Brasília, aos 83 anos.
    O coronel está na lista dos responsáveis por graves violações de direitos humanos elaborada pelaComissão Nacional da Verdade, foi processado e chegou a sercondenado em primeira instância a indenizar a família de um torturado. Ele chefiou o DOI (Destacamento de Operações de Informações), em São Paulo, de 1970 e 1974, período de aguda repressão política no país. "Nesse órgão, especialmente criado pela ditadura militar para combater a oposição política, [Ustra] comandou inúmeras operações que usavam métodos ilegais como detenção arbitrária, sequestro, tortura, execução, desaparecimentos de cadáveres", afirma Mariana Joffily, professora de História da Universidade do Estado de Santa Catarina.
    Mariana é autora de "No centro da engrenagem. Os interrogatórios da Operação Bandeirante e no DOI de São Paulo (1969-1975)", publicado pelo Arquivo Nacional e pela Edusp em 2013. O livro é resultado de sua tese de doutorado, defendida em 2008 na USP (Universidade de São Paulo).
    "Embora o coronel Ustra seja um paradigma nacional da repressão política e da tortura na época da ditadura, ele jamais teve a coragem de assumir publicamente os atos pelos quais foi responsável, seja por atuação direta, seja por sua posição hierárquica. Nem em seus dois livros, nem em suas intervenções públicas", comenta Mariana.

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