22 de out de 2015

  • Netanyahu afirma que líder palestino convenceu Hitler a exterminar judeus


    Então mufti de Jerusalém, Amin al-Husseini teria sugerido o Holocausto ao líder nazista. Historiadores afirmam que a versão não faz sentido e que o extermínio dos judeus era um tema central da ideologia de Hitler.

    Então mufti de Jerusalém, Amin al-Husseini teria sugerido o Holocausto ao líder nazista. Historiadores afirmam que a versão não faz sentido e que o extermínio dos judeus era um tema central da ideologia de Hitler.
    Benjamin Netanjahu Kabinett
    O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, causou indignação no seu país ao afirmar que Adolf Hitler não pretendia exterminar os judeus, mas acabou sendo convencido disso por um líder religioso palestino, o então mufti de Jerusalém, Amin al-Husseini. Ele teria tido um papel central no Holocausto, segundo Netanyahu.
    A declaração foi dada pelo primeiro-ministro na noite de terça-feira (20/10), durante um discurso num congresso sionista em Jerusalém, poucas horas antes de embarcar para uma visita à Alemanha. Netanyahu se encontra na noite desta quarta-feira com a chanceler federal Angela Merkel, em Berlim.
    A reunião entre Husseini e Hitler aconteceu em 1941 em Berlim. Na versão apresentada por Netanyahu, o encontro foi decisivo para que o líder nazista tomasse a decisão de iniciar uma campanha de extermínio dos judeus.
    "Naquele momento, Hitler não queria exterminar os judeus, ele queria expulsar os judeus", declarou Netanyahu durante o discurso. "E Amin al-Husseini se dirigiu a Hitler e disse: 'Se você os expulsar, eles vão retornar'." Segundo Netanyahu, Hitler teria então perguntado: "'E o que eu deveria fazer com eles?'" A resposta teria sido: "'Queime-os.'"
    Netanyahu, que é filho de um historiador famoso, foi duramente criticado por especialistas em Holocausto e por políticos da oposição, que disseram que ele está distorcendo os fatos. Autoridades palestinas disseram que o premiê parece querer inocentar Hitler e colocar a culpa pela morte de 6 milhões de judeus nos muçulmanos.
    "É um triste dia para a história quando o líder do governo de Israel odeia tanto seu vizinho, a ponto de estar disposto a absolver o mais notório criminoso de guerra da história, Adolf Hitler, do assassinato de seis milhões de judeus", declarou Saeb Erekat, secretário-geral da Organização para a Libertação da Palestina.
    Até o ministro da Defesa de Israel, Moshe Yaalon, um aliado próximo de Netanyahu, declarou que o primeiro-ministro se equivocou. "Certamente não foi [Husseini] que inventou a solução final", declarou Yaalon à rádio das Forças Armadas de Israel. "Isso saiu do cérebro maligno de Hitler."
    Encontro entre o mufti de Jerusalém, Amin al-Husseini, e Adolf Hitler aconteceu em 1941
    Historiadores disseram que a versão de Netanyahu distorce a ordem dos fatos. O encontro entre Husseini e Hitler aconteceu em 28 de novembro de 1941, em Berlim. Em janeiro de 1939, Hitler discursou no Reichstag (então o Parlamento alemão) e falou claramente sobre a sua determinação de exterminar os judeus.
    "Dizer que o mufti foi o primeiro a mencionar para Hitler a ideia de matar ou queimar os judeus não é correto", afirmou a historiadora Dina Porat, da Universidade de Tel Aviv e historiadora-chefe do Yad Vashem, o principal museu dedicado ao Holocausto em Israel.
    "A ideia de livrar o mundo dos judeus era um tema central da ideologia de Hitler muito antes do encontro com o mufti", afirmou. Ela lembra que o extermínio dos judeus começou em junho de 1941, antes, portanto, do encontro.
    O historiador Moshe Zimmermann, um dos principais estudiosos do Holocausto e pesquisador na Universidade Hebraica de Jerusalém, disse que o argumento de Netanyahu não se sustenta e que um comentário como esse basicamente o transforma num negador do Holocausto. "Qualquer tentativa de retirar esse peso de Hitler é só uma outra forma de negar o Holocausto", declarou à agência de notícias Associated Press.
    AS/rtr/ap

    A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

    1945

    No dia 8 de maio de 1945, os nazistas se renderam incondicionalmente. Para escapar da captura, Hitler se suicidou com um tiro no dia 30 de abril. Após seis anos de guerra, grande parte da Europa estava sob entulhos. Quase 50 milhões de pessoas morreram no continente durante a Segunda Guerra Mundial. Em maio de 1945, o marechal de campo Wilhelm Keitel assinava a ratificação da rendição em Berlim.
    Autoria: Alexander Drechsel (ip)


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