1 de out de 2015

  • Corregedor deixa TSE e fala em 'sumiço da ética' e 'mercadores do parlamento'


    Ministro João Otávio de Noronha encerra o mandato no TSE 

    com discurso crítico a escândalos de corrupção e 'manipulação 

    da democracia'


    O ministro do Supremo Tribunal de Justiça, João Otávio de Noronha
    O ministro do Supremo Tribunal de Justiça, João Otávio de Noronha(Roberto Jayme/ASICS/TCE/Divulgação)
    O corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro João Otávio de Noronha, encerrou nesta quinta-feira seu mandato no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com críticas aos sucessivos escândalos de corrupção e ao fisiologismo no Congresso Nacional. Noronha, que foi relator de um dos processos que pede investigações por irregularidades praticadas na campanha da petista Dilma Rousseff à reeleição, disse em seu discurso de despedida que o país passa por um conjunto de crises, entre elas o "sumiço da ética".
    "Somos bombardeados a todo momento por notícias de corrupção como se o Brasil fosse uma terra minada", disse Noronha. "A baixa cotação do homem honesto, da crescente disputa entre os mercadores do parlamento, de multiplicação dos compradores de opinião e até de votos nos leva a questionar se persiste a necessidade de a Justiça continuar com os olhos vendados."
    "Vivemos dias de profundas transformações no cenário nacional. Mudanças que não prevíamos e nem prevenimos e cujas consequências não antecipamos. Fala-se o tempo todo em crise, crise de moralidade ante a banalização da inversão de valores, (...) crise econômica e financeira creditada à globalização e à má gestão do dinheiro público, crise de autenticidade flagrada na proliferação dos bodes expiatórios usados para desviar os olhos do eleitor das distorções do poder público, crises de referência em razão do sumiço da ética, crise de enfraquecimento do Estado em contraposição à crescente tentativa de manipulação da democracia pelo ranço do jeitinho brasileiro", discursou o ministro.
    O Plenário do TSE tinha em pauta a retomada do julgamento de uma ação que pode levar à cassação do mandato da presidente Dilma Rousseff (PT) e do vice-presidente Michel Temer (PMDB) por abuso de poder político e econômico. O processo é uma Ação de Impugnação de Mandato Eletivo (AIME) apresentada pelo PSDB após a diplomação de Dilma e Temer. O processo estava paralisado por um pedido de vista da ministra Luciana Lóssio. Noronha já votou no caso e entendeu que a ação contra Dilma deve ter seguimento. O julgamento, porém, não foi retomado nesta quinta.


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