27 de out de 2015

  • China e comunismo: o que muitos esquecem quando falam sobre o tema


    A igualdade social como pregada pelo socialismo e comunismo não só é impossível, mas perigosa e maléfica (Imagem da internet)
    A igualdade social como pregada pelo socialismo e comunismo não só é impossível, mas perigosa e maléfica 
    Imagine o seguinte: uma universidade alemã de prestígio está oferecendo um curso audiovisual online para ajudar alemães e estrangeiros a aprender sobre o “Pensamento Nacional Socialista” (isto é, o nazismo). Um vídeo introdutório, postado no YouTube e divulgado por grandes mídias norte-americanas, mostra um professor e seus alunos, que com um sorriso estampado no rosto, convidam o espectador a explorar as contribuições de Adolf Hitler para o patrimônio histórico e filosófico da Alemanha. Nenhuma menção ao Holocausto ou à II Guerra Mundial acompanha o curso, e a reportagem sobre o curso também encobre esses detalhes.
    É claro, isto é impensável, e, em muitos países, é ilegal. Nenhuma conversa de Hitler ou nazismo escapa do genocídio industrializado de doze milhões de pessoas, e dos seis anos de longa guerra lançada por ele. O nazismo, com suas visões angustiantes de vítimas em campos de concentração e câmaras de gás, é algo que os alemães e grande parte do mundo ocidental prometeram nunca esquecer e nunca mais permitir.
    Quando se trata da ideologia comunista do regime chinês, no entanto, uma narrativa bastante semelhante parece estar em ordem.
    O New York Times publicou recentemente um artigo a respeito de um curso da Universidade Tsinghua sobre o “Pensamento de Mao Tsé-Tung”. Anexado ao artigo, fica um questionário de 8 perguntas múltipla escolha, com questões retiradas do conteúdo do curso da Instituição Beijing, que abordam os fundamentos teóricos extensos e muitas vezes vagos da ideologia maoista.
    Entretanto, ao detalhar as reações indiferentes do público em relação ao curso, o artigo do New York Times, assim como o próprio curso da Tsinghua, negligenciam o contexto de terror e genocídio – estima-se cerca de 70 milhões de mortos; se somarmos tudo, o número de assassinados durante a revolução de Mao aproxima-se da quantidade de vítimas em ambas as guerras mundiais, juntas – que acompanhou as teorias comunistas de Mao.
    Entre movimentos políticos desastrosos, como o Grande Salto Adiante, as violentas campanhas de reforma agrária, e a Revolução Cultural de dez anos, o New York Times oculta o que há por traz da “fome” e do “caos”, como mencionado em sua reportagem.
    Neste tipo de narrativa historicamente incompleta, o “Pensamento de Mao Tsé-Tung” e o comunismo chinês, em geral, continuam a ser divulgados de forma superficial, passando a ideia de que a China supostamente tem crescido após um passado subdesenvolvido. Slogans e propagandas comunistas aparecem como uma medida para salvar a credibilidade chinesa, como uma muleta para a nação completar o seu caminho em direção a um futuro melhor.
    Esta compreensão isolada e descontextualizada em relação ao ditador que fundou a República Popular e a ideologia do Partido Comunista, conveniente para o atual regime chinês, continua a apoiar perseguições em curso, hoje em dia, contra grupos religiosos e étnicos marginalizados.
    Os 16 anos de repressão contra a disciplina espiritual Falun Gong, por exemplo, viu toda a gama de métodos – incluindo a extração forçada de órgãos de milhares de prisioneiros vivos – aplicada pelo governo chinês para destruir esta prática meditativa, em nome do ateísmo e do materialismo comunista.
    A representação da ideologia do Partido Comunista como um anacronismo político e econômico, separada dos abusos históricos e dos que ainda ocorrem hoje em dia, ignora a relevância do pensamento comunista como motivador das atuais ações do regime chinês em relação aos grupos perseguidos.

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