20 de jun de 2015

  • Esta é a ‪Democracia‬ chinesa: Transformando chineses em doentes mentais para manter a estabilidade


    Um doente mental, na cama, com os braços e pernas atadas. Hospital Psiquiátrico de Anxian, província de Sichuan, na China.
    Um doente mental, na cama, com os braços e pernas atadas. Hospital Psiquiátrico de Anxian, província de Sichuan, na China (China Photos / Getty Images)
    Justamente quando o regime chinês dá tapinhas nas costas de si mesmo por considerar que grandes avanços em matéria de direitos humanos foram feitos na China no ano passado, vêm à tona relatórios detalhados que mostram que, na China, dissidentes e presos de consciência continuam a ser encarcerados em estabelecimentos de saúde mental.
    “Qiao Zhongling, idoso ativista pró-democracia, viveu encarcerado em diferentes hospitais psiquiátricos ao longo dos últimos cinco anos”, segundo a emissora sem fins lucrativos Radio Free Asia (RFA), citando o psiquiatra Ma Jinchun, que conhece o caso de Qiao Zhongling.
    Qiao, 70 anos, foi rotulado de “contrarrevolucionário” durante o tumultuado período da Revolução Cultural (1967-1977) e, mais tarde, se uniu ao movimento Paredes da Democracia e começou o Fórum Shanghai Democracia em 1978. Por causa disso, Qiao acabou condenado à prisão e permaneceu preso durante três anos, e depois de ser libertado, ficou sob vigilância policial.
    A revista Open Magazine, com sede em Hong Kong, disse que Qiao foi a Hong Kong em 2001 para discutir a publicação de um livro e, quando voltou para a China, nunca mais ninguém teve notícias sobre o paradeiro de Qiao, de acordo com a Radio France Internationale.
    Jin Zhong, editor-chefe da revista Open Magazine, disse à Radio Free Asia que informações recentes do psiquiatra Ma Jinchun lançam luz sobre o destino de Qiao Zhongling.
    Ma Jinchun, que foi designado para cuidar de Qiao em seu último confinamento em hospital psiquiátrico, percebeu que seu paciente não tinha nenhum problema mental e levou isso ao conhecimento da administração do hospital, disse Jin Zhong.
    “Eles estavam impondo tratamento à força a Qiao, como se ele tivesse realmente doença mental”, disse Jin Zhong à Radio Free Asia. “Os medicamentos afetaram seu cérebro e também tiveram efeito negativo sobre as artérias”.
    Mas a administração do hospital disse a Ma Jinchun que não podiam fazer nada no caso de Qiao. Qiao foi levado do local pela polícia, que disse que o hospital não devia se “envolver”.
    Ma Jinchun decidiu contornar o sistema de controle e censura do regime chinês sobre a Internet, o Grande Firewall, para obter mais informações sobre Qiao. Ma descobriu vários casos semelhantes ao de Qiao em sua busca na Internet a sites não bloqueados pelo regime chinês.
    Em pouco tempo, o psiquiatra Ma “percebeu que Qiao Zhongling era vítima de perseguição”, disse Jin Zhong da Open Magazine.
    Saúde e paz
    Os hospitais psiquiátricos da China são chamados em chinês de “ankang”, que pode ser traduzido como local de “saúde e paz”. Mas essas instalações médicas têm a reputação de não trazerem nada de saúde ou paz para dissidentes e prisioneiros de consciência – como ativistas pró-democracia, dissidentes e praticantes de Falun Gong –, nelas encarcerados.
    As vítimas geralmente são detidas por policiais e confinadas à força nesses “ankang” sem o consentimento da família – ato considerado ilegal de acordo com a lei de 2013 sobre saúde mental na China.
    Uma vez confinados em hospitais psiquiátricos, os ativistas de direitos, dissidentes e prisioneiros de consciência são submetidos a drogas psiquiátricas, que danificam seus sistemas nervosos e dão origem a sintomas como insuficiência cardíaca, perda de memória e, nos piores casos, paralisia, doenças mentais reais ou morte.
    A medicação dada a Qiao “afetou suas funções cerebrais e está causando mais dano do que espancamentos causariam”, disse Jin Zhong para a Radio Free Asia. Se o “tratamento” de Qiao continuar, disse o psiquiatra Ma Jinchun preocupado, “ele vai morrer”.
    O psiquiatra Ma Jinchun teme o pior.
    Muitos praticantes de Falun Gong – tradicional disciplina espiritual chinesa baseada em meditação e princípios morais – que foram confinados em instituições psiquiátricas depois de o regime chinês ter iniciado uma gigantesca perseguição contra Falun Gong em 1999, sofreram grave perda de memória e acabaram paralisados. Num dos casos, o praticante de Falun Gong, Liang Zhiqin, depois de receber injeções com drogas psiquiátricas, teve insuficiência cardíaca, entrou em choque duas vezes e faleceu em 2009.
    Direitos Humanos?
    “As recentes grandes conquistas que a China fez com seus esforços no campo dos direitos humanos demonstram plenamente que ela está no caminho correto”, disse o regime chinês ao falar sobre seu histórico de direitos humanos no ano passado. O regime está comprometido a manter os “direitos fundamentais” e “valores universais” de seu povo, entre outras coisas, disse o regime.
    No entanto, relatórios sobre detenção psiquiátrica forçada de grupos de direitos humanos mostram exatamente o oposto.
    Um mês atrás, a organização sem fins lucrativos Defensores dos Direitos Humanos dos Chineses (CHRD), com base nos EUA, revelou sete casos conhecidos de detenção psiquiátrica forçada nos últimos seis meses, inclusive uma em que o filho de um peticionário, como ato de retaliação do governo contra o peticionário, foi levado para uma instituição psiquiátrica.
    As autoridades chinesas “veem no confinamento psiquiátrico forçado uma alternativa conveniente para restringir a liberdade de cidadãos considerados problemáticos” pelo regime chinês.
    Em janeiro, o grupo de direitos humanos Direitos Civis e Modo de Vida disse em relatório que o regime chinês está cada vez mais enviando, sem julgamento, grupos-alvo para hospitais psiquiátricos. O fundador desse grupo, Liu Feiyue, disse que transformar pessoas em “doentes mentais” “jamais deveria ser usado como ferramenta para manter a estabilidade” na China.

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