21 de mai de 2015

  • Ato pelo fim das internações em manicômios reúniu aproximadamente 3 mil pessoas na Paulista


    Manifestantes protocolaram carta ao governador exigindo o fim da transferência de dinheiro público para clínicas de reabilitação para pessoas com dependência química, como ocorre hoje no estado

    luta antimanicomial
    Há 28 anos, quando movimento foi iniciado, país tinha 100 mil leitos para interdição psiquiátrica
    São Paulo – Pelo menos 3 mil pessoas, entre profissionais da saúde mental, pacientes e familiares, realizaram hoje (18), Dia Nacional de Luta Antimanicomial, um ato na Avenida Paulista para reivindicar o fim do encarceramento de pacientes nos chamados manicômios. O país ainda tem 32 mil leitos de internação psiquiátrica, a maioria concentrada no estado de São Paulo – 12 mil, ao todo.
    Os manifestantes se reuniram no vão livre do Masp às 12h e realizaram uma série de oficinas artísticas com os usuários dos serviços públicos de saúde mental, aos moldes do que é feito nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps). Eles participaram de rodas de maracatu e produziram cartazes com dizeres “Por uma sociedade sem manicômios”, “Trancar não é tratar”, “Contra toda forma de prisão” e “É muito louco ser doido”.
    “As pessoas devem ser tratadas em liberdade, rompendo com a ideia de que a loucura é perigosa. Para isso necessitamos de mais investimento público em uma rede para atendê-los, integrando Unidades Básicas de Saúde (UBS), Caps e hospitais para as crises, mas não para internações nem para a administração de medicamentos que inibam os sentimentos das pessoas”, afirma o psicólogo Tiago Ribeiro, participante do movimento.
    Em marcha, os manifestantes caminharam até a sede da Secretaria Estadual da Saúde, no bairro de Cerqueira César, e protocolaram uma carta ao governador, Geraldo Alckmin, e ao secretário de Saúde, David Uip, com uma série de reivindicações. Entre elas, está o fim da privatização dos serviços de saúde mental – que tem grande presença de organizações sociais privadas contratadas pelo poder público –, o fim da internação involuntária e a proibição do uso de eletrochoques nos hospitais psiquiátricos que ainda não foram desmontados.
    O movimento também reivindica o fim da transferência de dinheiro público para as chamadas comunidades terapêuticas, popularmente conhecidas como clínicas de reabilitação para pessoas com dependência química, como ocorre atualmente em São Paulo: a política do governo Alckmin, chamada “Recomeço”, transfere recursos públicos para comunidades terapêuticas, o que motiva o surgimento de novos leitos psiquiátricos.
    “São instituições fora das políticas públicas, ligadas geralmente a movimentos religiosos que se aproveitam de uma falha na saúde pública e da fragilidade das famílias. Elas se propõem a abstinência, que pode ser uma possibilidade, mas que não necessariamente é a mais eficaz”, afirma o presidente do Sindicato dos Psicólogos do Estado de São Paulo, Rogério Giannini.

    Histórico

    Quando militantes da área de saúde mental iniciaram o movimento exigindo o fechamento dos manicômios, há 28 anos, o país tinha 100 mil leitos para interdição psiquiátrica, que colecionam histórias de violações aos direitos humanos. Em 2001, foi aprovada a lei federal da reforma psiquiátrica (10.216) que reformulou o modelo de atenção, transferindo o tratamento dos hospitais para uma rede estruturada de serviços comunitários.
    Atualmente, o acompanhamento é feito no Caps mais próximo da residência do paciente. Lá eles recebem tratamento para os sintomas com equipes de psiquiatras e psicólogos, fazem atividades de socialização, como oficinas de artesanato e grupo de mulheres, e atividade de integração ao mundo do trabalho. As famílias também participam de grupos de discussão.
    “O Caps é tudo para mim. Lá as portas estão sempre abertas, inclusive para eu sair para frequentar os lugares que gosto. Minha vida melhorou 100% desde que eu cheguei lá. Antes era só internação atrás de internação”, conta o paciente Leandro de Lima, de 34 anos, enquanto exibe, orgulhoso, sua fantasia de rei do maracatu de uma unidade do Caps em Mauá, na região do ABC paulista.

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