15 de fev de 2015

  • Eu não gosto de carnaval - Do carnaval eu só quero o feriado.


    Criança brava
    Eu gosto de açaí, feijoada, caipirinha, acarajé, tapioca, pastel, pão de queijo, guaraná e brigadeiro.
    Eu gosto de jogar bola, de ver gente gingando ao som de um berimbau e de afirmar – sem medo de estar mentindo – que o Jiu-Jitsu ficou muito mais eficiente depois de sofrer as adaptações feitas pela ilustríssima família Gracie.
    Eu gosto do saci (mesmo sabendo que ele vive a fumar um cachimbo politicamente incorreto), do curupira, da Iara e, até, da mula sem cabeça.
    Eu gosto do Macunaíma, da Capitu, do Policarpo Quaresma, do Menino Maluquinho, do Brás Cubas, do Mandrake e da Iracema.
    Eu gosto de diversas coisas típicas do Brasil, porém, confesso: eu não gosto do nosso Carnaval. Não gosto mesmo. O que você quer que eu faça?
    E daí que eu nasci em terras tupiniquins? “Ser brasileiro” não significa “gostar de Carnaval”, como muitos teimam em pensar.
    Enquanto muita gente passa o ano inteiro aguardando a hora de pular Carnaval, eu, se pudesse, pularia o Carnaval. Pularia sem dó ou arrependimento, como faço com a salada aos domingos e em dias de pizza.
    Aglomerações, fantasias cheias de penachos e carros alegóricos? Não vejo a menor graça, se quer mesmo saber. Não sei qual escola de samba venceu em 2014 e, provavelmente, não tomarei conhecimento da campeã deste ano.
    Marchinhas? Tô nem aí, juro! Mamãe, eu quero mesmo é que elas parem de tocar. Ou que fiquem inaudíveis perto de um bom solo de guitarra. Só isso! Se a pipa do vovô não sobe mais, azar o dele e sorte grande do Viagra. Foda-se a cabeleira do Zezé, afinal, que diferença faz se ele é ou não é? Quem é Aurora, hein? E quem sou eu para lhe informar que cachaça não é água não? Eu tenho cara de hepatologista? Muito menos de carnavalesco.
    Mas o Carnaval está repleto de bundas e de cerveja, Ricardo!”, alguns certamente afirmarão, tentando me convencer. Respondo com uma nova pergunta: quem disse que eu preciso vestir um abadá feioso – ou uma fantasia colorida – e me meter em muvucas só para me encontrar com nádegas e beber cerveja? Hein? As bundas estão nas páginas Playboy, nos capítulos das minisséries da Globo, nos vídeos do PornoTube, nas academias e em todas as partes da galáxia. A cerveja também, oras.
    Outra coisa: eu não sei sambar e não tenho a menor vontade de aprender. Sem exageros. Prefiro aprender um novo idioma, a acender uma fogueira sem isqueiro, a pescar com um bambu, a me comunicar com os gatos ou a fazer qualquer outra coisa que não incomode o cara que mora no andar de baixo.
    Se eu acho os amantes do Carnaval inferiores a mim? Claro que não. É apenas uma questão de gosto, nada além. Até admiro a felicidade que eles sentem quando fazem algo que, para mim, parece mais uma espécie de tortura, um sofrimento voluntário.
    “Mas você não vê nada de legal no Carnaval?”, provavelmente me perguntarão. Claro que vejo, respondo. No Carnaval sempre vejo a maravilhosa oportunidade de marchar na contramão dos foliões, de ir a cinemas quase vazios enquanto grande parte da cidade sua o sovaco para conquistar míseros centímetros quadrados, por exemplo. No Carnaval eu reconheço a imperdível chance de fazer jus à minha mensalidade do Netflix e dar a devida atenção ao Don Draper, ao Hank Moody, ao Walter White, ao Dexter Morgan e a outros personagens que, assim como eu, não têm samba no pé ou Carnaval no coração. Não que eu saiba.
    Fonte: http://www.revistacatwalk.com.br/eu-nao-gosto-de-carnaval/
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